Mais um fora
Agosto 6, 2009
O texto abaixo é um breve comentário a respeito de um fato que até então não era de meu conhecimento. José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, José Sarney, o tão mal falado, e com razão, ex-presidente e atual presidente do Senado Brasileiro é membro da Acadêmia Brasileira de Letras (ABL).
A três dias atrás chego em casa e a edição do mês de agosto da revista National Geographic está sobre a mesa da cozinha, levo pro quarto e deixo lá embalada até a manhã de hoje. Saindo para trabalhar resolvo pegar a revista para ler no caminho para o trabalho e eis que chego a página trinta e quatro, onde encontro a seguinte matéria, “Vida de Gala, A eleição de um membro da Academia Brasileira de Letras garante mais que uma cadeira no famoso chá das cinco – a própria imortalidade.”. Logo penso, que baita matéria.
Assim que eu começo a ler a reportagem, tenho uma revelação bombástica. Logo ali, de cara, no primeiro parágrafo da reportagem, o nosso “íntegro” e “querido” ex-presidente José Sarney é um dos membros da ABL, por sinal, o mais antigo dos membros atuais. Pensei comigo, “não! Isto só pode estar errado, vou ler de novo. Quem sabe, o que a reportagem quis dizer é que ele ja foi indicado para uma cadeira da casa.” Não, o que tinha lido estava certo, após uma pequena relida na reportagem e uma rápida busca no Google para confirmar meus temores eu confirmo o que acabara de ler. Pode ser que para muitos isto não seja novidade, mas para mim esta é uma notícia, notícia antiga, com um pouco mais de 29 anos, mas que tem cara de nova.
Um pouco antes na mesma reportagem, o texto fala sobre as qualidades que um candidato a uma vaga na ABL precisa ter, mais precisamente o texto diz, “só podem se candidatar a estar entre eles os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros literários, publicado obras de reconhecido mérito no engrandecimento da língua portuguesa”, então penso comigo, que raios o Sarney publicou que engrandeceu tanto a língua portuguesa? A única coisa que eu sabia que ele tinha publicado eram os atos secretos do senado, e que se pararmos para analisar na verdade não foram publicados, por isso atos secretos.
Intrigado por essa minha nova descoberta decidi ir atrás, queria descobrir o que Sarney fez de tão importante para a nossa língua. Surpresa! Sarney tem mais de dez livros publicados, na sua maioria poesias e romances, os quais também ja foram traduzidos para inúmeras línguas, como Inglês, Alemão, Italiano, Grego, Árabe entre outras. Não faço ideia do que ele possa ter escrito, por isso não vou tecer nenhum comentário sobre a qualidade do que ele escreveu, até porquê eu não tenho conhecimento literário suficiente para qualificar qualquer obra e também pelo fato de que a escolha dos membros da ABL ocorre através de um rigoroso processo de votação e não cabe a mim dizer julgar por certa ou errada uma decisão dos imortais.
Sarney começou a escrever a bastante tempo atrás, sua primeira publicação foi A Canção Inicial em 1952, segundo consta em sua bibliografia. Eram outros tempos no Brasil e Sarney nem tinha ingressado na carreira política ainda. Aquela pessoa que tanto odiamos hoje, talvez naquela época teria outras intenções, não fazia a menor ideia do que se tornaria no futuro. Acontece que Sarney sempre esteve envolvido com literatura, além de membro da ABL, Sarney possui outras condecorações. Sarney é Grão-Mestre e tem Grã-Cruz ou o Grão-Colar das seguintes ordens: Ordem Nacional do Mérito, Ordem do Rio Branco, Ordem do Mérito Judiciário, Ordem do Cruzeiro do Sul, Ordem da Legião de Honra (França), Ordem de Sant’Iago da Espanha (Portugal). Possui a Medalha José Bonifácio e pela própria ABL, Medalha Machado de Assis. Realmente é grande o reconhecimento que Sarney possui, não é qualquer pessoa que pode colocar isso tudo no currículo.
Mas agora, parando para pensar um pouco mais, como que uma pessoa, que tem uma carreira marcada por trabalhos tão relevantes pode entrar para a política e ter sua vida marcada por tantos atos de corrupção? O que uma pessoa tão corrupta e maligna à sociedade e ao estado democrático está fazendo numa instituição que teve como fundador Machado de Assis? Aposto que em 1980 os antigos membros da academia não faziam ideia para quem estavam prestes a conceder tal mérito. Não sabiam dos atos secretos, até porque eles comecaram na década de 1990, mas vai saber quantos outros atos Sarney não orquestrou ao longo de sua carreira política.(?)
Fico pensando o que os atuais membros pensam de ter um colega, se assim posso dizer, tão envolvido em escandalos que ferem e mancham a história política nacional. Segundo as regras da ABL, uma vez que uma pessoa se torna membro, ela só perde o título quando morre. Não sei se existem regras para expulsar membros, mas se não existir, acredito que deveriam considerar sériamente a hipótese de criar uma. Alguns podem dizer que a vida política e a vida literária de Sarney não deveriam ser confundidas, que sua contribuição para a literatura e língua portuguesa são de grande importância, mas eu acredito que mais do que ter dado uma grande contribuíção para o Brasil e para a língua portuguesa, Sarney perdeu todos os seus pontos com seu envolvimento nos escândalos do senado e muitos outros. Sua contribuição ficou pequena na sombra do seu desserviço à política e ao povo brasileiro.
Peço aqui, que além de exigirmos Sarney fora do senado e da política nacional, vamos pedir também para que o Sr. José Sarney deixe a ABL, uma instituição de grande importância e história que tem como objetivo o cultivo da nossa tão importante língua mãe. Não deixemos que Sarney manche o nome outra importante instituição nacional.
#forasarney

Agosto 6, 2009 ás 17:48
Depois que o Paulo Coelho entrou pra ABL, isso não me surpreende…