Não a PLS 607/07
Agosto 27, 2009
Mais uma vez vou usar o meu blog para mostrar a minha indignação com a política brasileira. Se as coisas fossem um pouco melhores neste país eu poderia estar falando mais sobre música, filmes, esportes, viagens, festas ou qualquer outra coisa que eu tenho vontade de falar, mas diante de toda essa palhaçada nacional que tem acontecido nos últimos tempos acho errado não aproveitar este espaço para mostrar a minha indignação.
A bola da vez é a PLS607/07. Para quem não sabe, eu sou desenvolvedor de software, trabalho na área desde 2004 mas sempre gostei muito de computadores, por isso comecei a programar lá por 2002 quando tinha uns 14/15 anos e estava no segundo ano do ensino médio, que por sinal era profissionalizante. Fiz curso técnico em processamento de dados no Centro Tecnológico Universidade de Caxias do Sul e logo depois entrei no curso de bacharelado em Sistemas de Informação na mesma universidade.
Sempre fui autodidata, sempre estudei por conta as coisas que realmente me interessavam, por isso que com 14 anos eu já fazia alguns scripts em ASP, JavaScript e brincava muito bem com HTML. No curso técnico, para fazer um dos trabalhos finais, fiz algumas incursões pelo mundo do PHP, o qual eu também acabei utilizando durante o meu primeiro estágio. PHP por exemplo, eu aprendi por conta, não tive matérias no curso técnico nem na faculdade e também não fiz cursinhos, tudo que eu aprendi veio do meu interesse e paixão pela área.
Voltando ao assunto PLS607/07, que eu comentei uns parágrafos acima, eu gostaria de deixar bem claro, sou totalmente CONTRA essa lei. Para quem não sabe, esta lei dispõe sobre a regulamentação das profissões de analista de sistemas e programador. Ela diz que apenas pessoas com formação em Analise de Sistemas poderão exercer a profissão de analista de sistemas, uma profissão que por sinal está deixando de existir. Existem artigos muito bons na internet tratando sobre a profissão como podem ler aqui e aqui.
Da mesma forma como existem artigos muito bons tratando sobre a profissão de analista de sistemas, existem artigos ótimos falando sobre a tal regulamentação que podem ser lidos aqui, aqui e aqui, existe também um blog sobre o assunto, mas que está a bastante tempo sem atualização. Vou deixar aqui também um link para uma pequena matéria feita pelo site Baguete, confesso não sou fã deste site mas desta vez me vejo obrigado a defender minha posição e por isso vou usar de todos argumentos possíveis.
Como eu falei anteriormente, eu sou totalmente contra qualquer tipo de controle ou regulamentação no exercício de qualquer profissão relacioanda a área de TI. Os argumentos são inúmeros e podem ser lidos nos links que eu mencionei no parágrafo anterior, façam destes artigos as minhas palavras pois concordo plenamente com cada linha escrita neles, porém eu gostaria de explicar porque eu sou contra essa regulamentação. Acredito que quem teve a idéia desta lei, provavelmente, teve a intenção de criar um mecanismo para assegurar que o software criado tenha qualidade e seja livre de erros. A intenção pode até ter sido boa, mas não será assim que estes problemas serão resolvidos. Software de qualidade não depende de um diploma, depende das pessoas gostarem do que fazem e depende de faculdades boas, de qualidade, coisa que não temos neste país.
O diploma de bacharel não é garantia de bom profissional, o bom profissional de TI é aquele que gosta de tecnologia, aquele que mesmo em casa, nas horas vagas, mesmo que não seja necessário para o trabalho, estuda e gosta de ficar por dentro das novidades. É aquele que não se contenta somente em saber uma linguagem de programação, nem duas, ele quer saber como funciona o compilador, quer saber como funciona um sistema operacional por baixo dos panos. O bom profissional da área de TI não é aquele que sabe fazer uma tela muito bonita e funcional com HTML, JavaScript e sua linguagem predileta (PHP, RUBY, JAVA, C#, PERL, …), o bom profissional também sabe como funciona o protocolo HTTP. Enfim, o bom profissional não fica somente com o conhecimento que foi mal e porcamente passado nas universidades. Como o Fabio Akita escreveu em seu blog
Grandes programadores não são formados. Grandes programadores se formam.
Não esperem que regulamentando a profissão a qualidade dos softwares estarão garantidas. Sem paixão e dedicação, nenhum profissional vai ser muito bom na área de TI e isso tem um motivo, a velocidade como a área evolui. Somente pessoas que realmente gostam do que fazem são capazes de acompanhar o ritmo de evolução da área e assim garantir um software de qualidade. Com a regulamentação da área, mais pessoas farão cursos em faculdades de terceira categoria simplesmente para ter um diploma e garantir um emprego. Agora pergunto, qual a qualidade do trabalho que essas pessoas vão entregar? Como uma pessoa que não tem paixão, só interesse pelo dinheiro pode garantir e assinar um projeto de software? Como alguém que viu na cadeira de gerência de projetos um negócio chamado waterfall, e que pensa que isso é tudo que precisa, pode garantir um sistema de qualidade? Como alguém que aprendeu Java na cadeira de programação, nunca ouviu falar em metodologia de testes, testes unitários, testes de integração e que acha que todos os problemas serão resolvidos utilizando o NetBeans/Eclipse, EJB e Struts, pode entregar um código de qualidade?
No meu emprego atual eu trabalho com Java e sou uma das pessoas responsáveis pelas entrevistas técnicas. O que posso dizer com toda a certeza desse mundo é que diploma não garante qualidade. A quantidade de pessoas com formação superior que não tem a menor idéia do que seja SOA, metodologias ágeis, DDD, Ruby, linguagens funcionais, etc é gigantesca. Antes de começar a fazer entrevistas eu não acreditava que o nível de certos profissionais formados era tão baixo. Como uma prova de que diploma não é tudo, eu me coloco como exemplo, não sou formado e não penso em terminar a faculdade tão cedo assim, mas nem por isso eu deixei de ser competitivo, nem por isso eu deixei de estudar. Se não fosse assim não teria conseguido um emprego como desenvolvedor de software no Reino Unido em 2007 ou numa grande multinacional aqui no Brasil em 2008 quando voltei de viagem. Não é um diploma que vai dizer se eu sou bom ou não, quem vai dizer é o próprio mercado, me avaliando e comparando com as suas necessidades.
Esta é a minha opinião.
NÃO A PLS 607/07, como disse Rodrigo Kumpera,
PARA SER PROGRAMADOR VAMOS PRECISAR DE DIPLOMA, ENQUANTO ISSO PARA FAZER POLITICA BASTA ASSINAR O NOME. REGULAMENTAR A PROFISSÃO DOS OUTROS É REFRESCO.
Sem mais.
Quebrado
Agosto 21, 2009
Buneo pessoal, eu tinha um post guardado pra essa semana, eu ia falar sobre uma festa que eu fui na semana passada onde as pessoas simplesmente perdem a noção de decência e dizem que aquilo é alternativo, mas enfim, não vou comentar mais pra não estragar a surpresa do post.
O que eu quero dizer aqui hoje é que eu to quebrado. Ontem a noite fui jogar basquete com o pessoal do trabalho. Péssima idéia, deveria ter ido pro bar beber porque no máximo eu iria passar mal e hoje já estaria melhor. Acontece que ontem jogando bola, eu fui pular para tentar dar um “toco” no cara que tentava fazer a cesta e quando caí no chão o pior aconceteu, quase quebrei meu pé.
A dor que eu senti ontem, sinceramente, acho que nunca tinha sentido algo assim na minha vida inteira, porque por incrível que pareça, eu consegui passar por toda a minha infância e adolescência sem quebrar nenhuma parte do meu corpo, nunca quebrei um pé, nem braço, nem mão, nem nada e não foi dessa vez que eu quebrei, mas o médico comentou que eu cheguei quase lá.
De fato o que aconteceu foi uma entorse no tornozelo direito e algumas lesões internas de nivel 2 pelo que diz o boletim de atendimento. O resultado disso tudo é uma tala com gesso no pé direito por no mínimo 15 dias, mais remédio a cada 12 horas e deixar o pé apoiado e para cima a maior parte do tempo.
Confesso que hoje eu estou bastente feliz, afinal é sexta e não fui trabalhar, todo mundo está querendo saber como eu estou e também estou recebendo vários mimos aqui em casa, como o almoço pra lá de especial preparado pela D. Eva. Mas isso tudo tem um preço, mal consigo andar. É muito ruim não poder fazer as coisas que tu normalmente faz, coisas tão triviais, como ir ao banheiro se transformam numa saga, subir escada então, não vou nem comentar. Tenho certeza que segunda-feira vou desejar voltar ao trabalho o mais rápido possível.
Mudando um pouco de assunto, agora a pouco estava olhando o que o médico escreveu no atestado, na receita médica, no boleteim de atendimento e juro que não entendi muita coisa, sinceramente, que letrinha mais ou menos. Eu, que trabalho o dia todo no computador e raramente escrevo no papel, consigo fazer uma letra bem melhor. Fico imaginando como que o pessoal da farmácia consegue entender o que a maioria dos médicos escrevem. Eu não sou uma pessoa que vai com frequência a médicos e hospitais, mas até onde consigo me lembrar nenhum médico que eu já fui tinha uma letra legível.
Coitado dos farmacêuticos, tenho certeza de que eles tem na faculdade alguma aula de leitura e interpretação de hieróglifos, pois se não for assim eu não tomarei mais remédios de recitas que eu não consiga entender. É tão dificil fazer uma letra bonita? Aliás, não precisa ser bonita, só precisa ser legível. Eu só preciso conseguir entender o que está escrito para saber se o remédio que eu comprei é realmente o que eu preciso tomar.
É incrível, o médico, um profissional com tantas qualidades, uma pessoa que passa anos estudando, coisas que as vezes são muito complexas, uma pessoa tão inteligente, não conseguir fazer uma letra legível? Até os roqueiros quando estão bebados, chapados e inspirados para compor suas melhores canções conseguem fazer uma letra melhor, porque vocês, profissionais que cuidam da manutenção da vida não conseguem caprichar também em algo que é tão simples?
Fica aí a minha dica. Treinem caligrafia, se for o caso eu devo ter em casa algum daqueles cadernos que eu usava quando aprendi a escrever.
Is there any body out there?!
Agosto 18, 2009
Bom, vamos dar prosseguimento ao blog, 2 posts por mês ta muito devagar, mas de qualquer forma acho que não vou conseguir passar dessa meta no mês de agosto, afinal já passamos da metade do mês e eu ainda não escrevi nada. Tenho 3 drafts aqui no wordpress e ainda não consegui parar para consolidar as idéias. Três bons assuntos, porém a preguiça é maior, sempre que tenho vontade de escrever eu estou fazendo alguma outra coisa que me impede.
Este vai ser um post intermediário, pequeno e prático, somente para dar sinal de vida e mostrar que eu não morri. A idéia para os próximos posts é largar um pouco de lado a política e voltar a falar um pouco de música e coisas do dia-a-dia. Já estou escrevendo o próximo post e tenho certeza que vai ser meio polêmico, alguns de vocês com certeza vão me criticar mas tudo bem, espero que eu consiga me fazer entender.
Mais um fora
Agosto 6, 2009
O texto abaixo é um breve comentário a respeito de um fato que até então não era de meu conhecimento. José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, José Sarney, o tão mal falado, e com razão, ex-presidente e atual presidente do Senado Brasileiro é membro da Acadêmia Brasileira de Letras (ABL).
A três dias atrás chego em casa e a edição do mês de agosto da revista National Geographic está sobre a mesa da cozinha, levo pro quarto e deixo lá embalada até a manhã de hoje. Saindo para trabalhar resolvo pegar a revista para ler no caminho para o trabalho e eis que chego a página trinta e quatro, onde encontro a seguinte matéria, “Vida de Gala, A eleição de um membro da Academia Brasileira de Letras garante mais que uma cadeira no famoso chá das cinco – a própria imortalidade.”. Logo penso, que baita matéria.
Assim que eu começo a ler a reportagem, tenho uma revelação bombástica. Logo ali, de cara, no primeiro parágrafo da reportagem, o nosso “íntegro” e “querido” ex-presidente José Sarney é um dos membros da ABL, por sinal, o mais antigo dos membros atuais. Pensei comigo, “não! Isto só pode estar errado, vou ler de novo. Quem sabe, o que a reportagem quis dizer é que ele ja foi indicado para uma cadeira da casa.” Não, o que tinha lido estava certo, após uma pequena relida na reportagem e uma rápida busca no Google para confirmar meus temores eu confirmo o que acabara de ler. Pode ser que para muitos isto não seja novidade, mas para mim esta é uma notícia, notícia antiga, com um pouco mais de 29 anos, mas que tem cara de nova.
Um pouco antes na mesma reportagem, o texto fala sobre as qualidades que um candidato a uma vaga na ABL precisa ter, mais precisamente o texto diz, “só podem se candidatar a estar entre eles os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros literários, publicado obras de reconhecido mérito no engrandecimento da língua portuguesa”, então penso comigo, que raios o Sarney publicou que engrandeceu tanto a língua portuguesa? A única coisa que eu sabia que ele tinha publicado eram os atos secretos do senado, e que se pararmos para analisar na verdade não foram publicados, por isso atos secretos.
Intrigado por essa minha nova descoberta decidi ir atrás, queria descobrir o que Sarney fez de tão importante para a nossa língua. Surpresa! Sarney tem mais de dez livros publicados, na sua maioria poesias e romances, os quais também ja foram traduzidos para inúmeras línguas, como Inglês, Alemão, Italiano, Grego, Árabe entre outras. Não faço ideia do que ele possa ter escrito, por isso não vou tecer nenhum comentário sobre a qualidade do que ele escreveu, até porquê eu não tenho conhecimento literário suficiente para qualificar qualquer obra e também pelo fato de que a escolha dos membros da ABL ocorre através de um rigoroso processo de votação e não cabe a mim dizer julgar por certa ou errada uma decisão dos imortais.
Sarney começou a escrever a bastante tempo atrás, sua primeira publicação foi A Canção Inicial em 1952, segundo consta em sua bibliografia. Eram outros tempos no Brasil e Sarney nem tinha ingressado na carreira política ainda. Aquela pessoa que tanto odiamos hoje, talvez naquela época teria outras intenções, não fazia a menor ideia do que se tornaria no futuro. Acontece que Sarney sempre esteve envolvido com literatura, além de membro da ABL, Sarney possui outras condecorações. Sarney é Grão-Mestre e tem Grã-Cruz ou o Grão-Colar das seguintes ordens: Ordem Nacional do Mérito, Ordem do Rio Branco, Ordem do Mérito Judiciário, Ordem do Cruzeiro do Sul, Ordem da Legião de Honra (França), Ordem de Sant’Iago da Espanha (Portugal). Possui a Medalha José Bonifácio e pela própria ABL, Medalha Machado de Assis. Realmente é grande o reconhecimento que Sarney possui, não é qualquer pessoa que pode colocar isso tudo no currículo.
Mas agora, parando para pensar um pouco mais, como que uma pessoa, que tem uma carreira marcada por trabalhos tão relevantes pode entrar para a política e ter sua vida marcada por tantos atos de corrupção? O que uma pessoa tão corrupta e maligna à sociedade e ao estado democrático está fazendo numa instituição que teve como fundador Machado de Assis? Aposto que em 1980 os antigos membros da academia não faziam ideia para quem estavam prestes a conceder tal mérito. Não sabiam dos atos secretos, até porque eles comecaram na década de 1990, mas vai saber quantos outros atos Sarney não orquestrou ao longo de sua carreira política.(?)
Fico pensando o que os atuais membros pensam de ter um colega, se assim posso dizer, tão envolvido em escandalos que ferem e mancham a história política nacional. Segundo as regras da ABL, uma vez que uma pessoa se torna membro, ela só perde o título quando morre. Não sei se existem regras para expulsar membros, mas se não existir, acredito que deveriam considerar sériamente a hipótese de criar uma. Alguns podem dizer que a vida política e a vida literária de Sarney não deveriam ser confundidas, que sua contribuição para a literatura e língua portuguesa são de grande importância, mas eu acredito que mais do que ter dado uma grande contribuíção para o Brasil e para a língua portuguesa, Sarney perdeu todos os seus pontos com seu envolvimento nos escândalos do senado e muitos outros. Sua contribuição ficou pequena na sombra do seu desserviço à política e ao povo brasileiro.
Peço aqui, que além de exigirmos Sarney fora do senado e da política nacional, vamos pedir também para que o Sr. José Sarney deixe a ABL, uma instituição de grande importância e história que tem como objetivo o cultivo da nossa tão importante língua mãe. Não deixemos que Sarney manche o nome outra importante instituição nacional.
#forasarney


