Não a PLS 607/07

Agosto 27, 2009

Mais uma vez vou usar o meu blog para mostrar a minha indignação com a política brasileira. Se as coisas fossem um pouco melhores neste país eu poderia estar falando mais sobre música, filmes, esportes, viagens, festas ou qualquer outra coisa que eu tenho vontade de falar, mas diante de toda essa palhaçada nacional que tem acontecido nos últimos tempos acho errado não aproveitar este espaço para mostrar a minha indignação.

A bola da vez é a PLS607/07. Para quem não sabe, eu sou desenvolvedor de software, trabalho na área desde 2004 mas sempre gostei muito de computadores, por isso comecei a programar lá por 2002 quando tinha uns 14/15 anos e estava no segundo ano do ensino médio, que por sinal era profissionalizante. Fiz curso técnico em processamento de dados no Centro Tecnológico Universidade de Caxias do Sul e logo depois entrei no curso de bacharelado em Sistemas de Informação na mesma universidade.

Sempre fui autodidata, sempre estudei por conta as coisas que realmente me interessavam, por isso que com 14 anos eu já fazia alguns scripts em ASP, JavaScript e brincava muito bem com HTML. No curso técnico, para fazer um dos trabalhos finais, fiz algumas incursões pelo mundo do PHP, o qual eu também acabei utilizando durante o meu primeiro estágio. PHP por exemplo, eu aprendi por conta, não tive matérias no curso técnico nem na faculdade e também não fiz cursinhos, tudo que eu aprendi veio do meu interesse e paixão pela área.

Voltando ao assunto PLS607/07, que eu comentei uns parágrafos acima, eu gostaria de deixar bem claro, sou totalmente CONTRA essa lei. Para quem não sabe, esta lei dispõe sobre a regulamentação das profissões de analista de sistemas e programador. Ela diz que apenas pessoas com formação em Analise de Sistemas poderão exercer a profissão de analista de sistemas, uma profissão que por sinal está deixando de existir. Existem artigos muito bons na internet tratando sobre a profissão como podem ler aqui e aqui.

Da mesma forma como existem artigos muito bons tratando sobre a profissão de analista de sistemas, existem artigos ótimos falando sobre a tal regulamentação que podem ser lidos aqui, aqui e aqui, existe também um blog sobre o assunto, mas que está a bastante tempo sem atualização. Vou deixar aqui também um link para uma pequena matéria feita pelo site Baguete, confesso não sou fã deste site mas desta vez me vejo obrigado a defender minha posição e por isso vou usar de todos argumentos possíveis.

Presente para um senador

Presente para um senador

Como eu falei anteriormente, eu sou totalmente contra qualquer tipo de controle ou regulamentação no exercício de qualquer profissão relacioanda a área de TI. Os argumentos são inúmeros e podem ser lidos nos links que eu mencionei no parágrafo anterior, façam destes artigos as minhas palavras pois concordo plenamente com cada linha escrita neles, porém eu gostaria de explicar porque eu sou contra essa regulamentação. Acredito que quem teve a idéia desta lei, provavelmente, teve a intenção de criar um mecanismo para assegurar que o software criado tenha qualidade e seja livre de erros. A intenção pode até ter sido boa, mas não será assim que estes problemas serão resolvidos. Software de qualidade não depende de um diploma, depende das pessoas gostarem do que fazem e depende de faculdades boas, de qualidade, coisa que não temos neste país.

O diploma de bacharel não é garantia de bom profissional, o bom profissional de TI é aquele que gosta de tecnologia, aquele que mesmo em casa, nas horas vagas, mesmo que não seja necessário para o trabalho, estuda e gosta de ficar por dentro das novidades. É aquele que não se contenta somente em saber uma linguagem de programação, nem duas, ele quer saber como funciona o compilador, quer saber como funciona um sistema operacional por baixo dos panos. O bom profissional da área de TI não é aquele que sabe fazer uma tela muito bonita e funcional com HTML, JavaScript e sua linguagem predileta (PHP, RUBY, JAVA, C#, PERL, …), o bom profissional também sabe como funciona o protocolo HTTP. Enfim, o bom profissional não fica somente com o conhecimento que foi mal e porcamente passado nas universidades. Como o Fabio Akita escreveu em seu blog

Grandes programadores não são formados. Grandes programadores se formam.

Não esperem que regulamentando a profissão a qualidade dos softwares estarão garantidas. Sem paixão e dedicação, nenhum profissional vai ser muito bom na área de TI e isso tem um motivo, a velocidade como a área evolui. Somente pessoas que realmente gostam do que fazem são capazes de acompanhar o ritmo de evolução da área e assim garantir um software de qualidade. Com a regulamentação da área, mais pessoas farão cursos em faculdades de terceira categoria simplesmente para ter um diploma e garantir um emprego. Agora pergunto, qual a qualidade do trabalho que essas pessoas vão entregar? Como uma pessoa que não tem paixão, só interesse pelo dinheiro pode garantir e assinar um projeto de software? Como alguém que viu na cadeira de gerência de projetos um negócio chamado waterfall, e que pensa que isso é tudo que precisa, pode garantir um sistema de qualidade? Como alguém que aprendeu Java na cadeira de programação, nunca ouviu falar em metodologia de testes, testes unitários, testes de integração e que acha que todos os problemas serão resolvidos utilizando o NetBeans/Eclipse, EJB e Struts, pode entregar um código de qualidade?

No meu emprego atual eu trabalho com Java e sou uma das pessoas responsáveis pelas entrevistas técnicas. O que posso dizer com toda a certeza desse mundo é que diploma não garante qualidade. A quantidade de pessoas com formação superior que não tem a menor idéia do que seja SOA, metodologias ágeis, DDD, Ruby, linguagens funcionais, etc é gigantesca. Antes de começar a fazer entrevistas eu não acreditava que o nível de certos profissionais formados era tão baixo. Como uma prova de que diploma não é tudo, eu me coloco como exemplo, não sou formado e não penso em terminar a faculdade tão cedo assim, mas nem por isso eu deixei de ser competitivo, nem por isso eu deixei de estudar. Se não fosse assim não teria conseguido um emprego como desenvolvedor de software no Reino Unido em 2007 ou numa grande multinacional aqui no Brasil em 2008 quando voltei de viagem. Não é um diploma que vai dizer se eu sou bom ou não, quem vai dizer é o próprio mercado, me avaliando e comparando com as suas necessidades.

Esta é a minha opinião.

NÃO A PLS 607/07, como disse Rodrigo Kumpera,

PARA SER PROGRAMADOR VAMOS PRECISAR DE DIPLOMA, ENQUANTO ISSO PARA FAZER POLITICA BASTA ASSINAR O NOME. REGULAMENTAR A PROFISSÃO DOS OUTROS É REFRESCO.

Sem mais.

Quebrado

Agosto 21, 2009

Buneo pessoal, eu tinha um post guardado pra essa semana, eu ia falar sobre uma festa que eu fui na semana passada onde as pessoas simplesmente perdem a noção de decência e dizem que aquilo é alternativo, mas enfim, não vou comentar mais pra não estragar a surpresa do post.

O que eu quero dizer aqui hoje é que eu to quebrado. Ontem a noite fui jogar basquete com o pessoal do trabalho. Péssima idéia, deveria ter ido pro bar beber porque no máximo eu iria passar mal e hoje já estaria melhor. Acontece que ontem jogando bola, eu fui pular para tentar dar um “toco” no cara que tentava fazer a cesta e quando caí no chão o pior aconceteu, quase quebrei meu pé.

Pé quase quebrado

Pé quase quebrado

A dor que eu senti ontem, sinceramente, acho que nunca tinha sentido algo assim na minha vida inteira, porque por incrível que pareça, eu consegui passar por toda a minha infância e adolescência sem quebrar nenhuma parte do meu corpo, nunca quebrei um pé, nem braço, nem mão, nem nada e não foi dessa vez que eu quebrei, mas o médico comentou que eu cheguei quase lá.

De fato o que aconteceu foi uma entorse no tornozelo direito e algumas lesões internas de nivel 2 pelo que diz o boletim de atendimento. O resultado disso tudo é uma tala com gesso no pé direito por no mínimo 15 dias, mais remédio a cada 12 horas e deixar o pé apoiado e para cima a maior parte do tempo.

Confesso que hoje eu estou bastente feliz, afinal é sexta e não fui trabalhar, todo mundo está querendo saber como eu estou e também estou recebendo vários mimos aqui em casa, como o almoço pra lá de especial preparado pela D. Eva. Mas isso tudo tem um preço, mal consigo andar. É muito ruim não poder fazer as coisas que tu normalmente faz, coisas tão triviais, como ir ao banheiro se transformam numa saga, subir escada então, não vou nem comentar. Tenho certeza que segunda-feira vou desejar voltar ao trabalho o mais rápido possível.

Mudando um pouco de assunto, agora a pouco estava olhando o que o médico escreveu no atestado, na receita médica, no boleteim de atendimento e juro que não entendi muita coisa, sinceramente, que letrinha mais ou menos. Eu, que trabalho o dia todo no computador e raramente escrevo no papel, consigo fazer uma letra bem melhor. Fico imaginando como que o pessoal da farmácia consegue entender o que a maioria dos médicos escrevem. Eu não sou uma pessoa que vai com frequência a médicos e hospitais, mas até onde consigo me lembrar nenhum médico que eu já fui tinha uma letra legível.

Coitado dos farmacêuticos, tenho certeza de que eles tem na faculdade alguma aula de leitura e interpretação de hieróglifos, pois se não for assim eu não tomarei mais remédios de recitas que eu não consiga entender. É tão dificil fazer uma letra bonita? Aliás, não precisa ser bonita, só precisa ser legível. Eu só preciso conseguir entender o que está escrito para saber se o remédio que eu comprei é realmente o que eu preciso tomar.

É incrível, o médico, um profissional com tantas qualidades, uma pessoa que passa anos estudando, coisas que as vezes são muito complexas, uma pessoa tão inteligente, não conseguir fazer uma letra legível? Até os roqueiros quando estão bebados, chapados e inspirados para compor suas melhores canções conseguem fazer uma letra melhor, porque vocês, profissionais que cuidam da manutenção da vida não conseguem caprichar também em algo que é tão simples?

Fica aí a minha dica. Treinem caligrafia, se for o caso eu devo ter em casa algum daqueles cadernos que eu usava quando aprendi a escrever.

Bom, vamos dar prosseguimento ao blog, 2 posts por mês ta muito devagar, mas de qualquer forma acho que não vou conseguir passar dessa meta no mês de agosto, afinal já passamos da metade do mês e eu ainda não escrevi nada. Tenho 3 drafts aqui no wordpress e ainda não consegui parar para consolidar as idéias. Três bons assuntos, porém a preguiça é maior, sempre que tenho vontade de escrever eu estou fazendo alguma outra coisa que me impede.

Este vai ser um post intermediário, pequeno e prático, somente para dar sinal de vida e mostrar que eu não morri. A idéia para os próximos posts é largar um pouco de lado a política e voltar a falar um pouco de música e coisas do dia-a-dia. Já estou escrevendo o próximo post e tenho certeza que vai ser meio polêmico, alguns de vocês com certeza vão me criticar mas tudo bem, espero que eu consiga me fazer entender.

Mais um fora

Agosto 6, 2009

O texto abaixo é um breve comentário a respeito de um fato que até então não era de meu conhecimento. José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, José Sarney, o tão mal falado, e com razão, ex-presidente e atual presidente do Senado Brasileiro é membro da Acadêmia Brasileira de Letras (ABL).

Academia Brasileira de Letras

Academia Brasileira de Letras

A três dias atrás chego em casa e a edição do mês de agosto da revista National Geographic está sobre a mesa da cozinha, levo pro quarto e deixo lá embalada até a manhã de hoje. Saindo para trabalhar resolvo pegar a revista para ler no caminho para o trabalho e eis que chego a página trinta e quatro, onde encontro a seguinte matéria, “Vida de Gala, A eleição de um membro da Academia Brasileira de Letras garante mais que uma cadeira no famoso chá das cinco – a própria imortalidade.”. Logo penso, que baita matéria.

Assim que eu começo a ler a reportagem, tenho uma revelação bombástica. Logo ali, de cara, no primeiro parágrafo da reportagem, o nosso “íntegro” e “querido” ex-presidente José Sarney é um dos membros da ABL, por sinal, o mais antigo dos membros atuais. Pensei comigo, “não! Isto só pode estar errado, vou ler de novo. Quem sabe, o que a reportagem quis dizer é que ele ja foi indicado para uma cadeira da casa.” Não, o que tinha lido estava certo, após uma pequena relida na reportagem e uma rápida busca no Google para confirmar meus temores eu confirmo o que acabara de ler. Pode ser que para muitos isto não seja novidade, mas para mim esta é uma notícia, notícia antiga, com um pouco mais de 29 anos, mas que tem cara de nova.

Um pouco antes na mesma reportagem, o texto fala sobre as qualidades que um candidato a uma vaga na ABL precisa ter, mais precisamente o texto diz, “só podem se candidatar a estar entre eles os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros literários, publicado obras de reconhecido mérito no engrandecimento da língua portuguesa”, então penso comigo, que raios o Sarney publicou que engrandeceu tanto a língua portuguesa? A única coisa que eu sabia que ele tinha publicado eram os atos secretos do senado, e que se pararmos para analisar na verdade não foram publicados, por isso atos secretos.

Intrigado por essa minha nova descoberta decidi ir atrás, queria descobrir o que Sarney fez de tão importante para a nossa língua. Surpresa! Sarney tem mais de dez livros publicados, na sua maioria poesias e romances, os quais também ja foram traduzidos para inúmeras línguas, como Inglês, Alemão, Italiano, Grego, Árabe entre outras. Não faço ideia do que ele possa ter escrito, por isso não vou tecer nenhum comentário sobre a qualidade do que ele escreveu, até porquê eu não tenho conhecimento literário suficiente para qualificar qualquer obra e também pelo fato de que a escolha dos membros da ABL ocorre através de um rigoroso processo de votação e não cabe a mim dizer julgar por certa ou errada uma decisão dos imortais.

Sarney começou a escrever a bastante tempo atrás, sua primeira publicação foi A Canção Inicial em 1952, segundo consta em sua bibliografia. Eram outros tempos no Brasil e Sarney nem tinha ingressado na carreira política ainda. Aquela pessoa que tanto odiamos hoje, talvez naquela época teria outras intenções, não fazia a menor ideia do que se tornaria no futuro. Acontece que Sarney sempre esteve envolvido com literatura, além de membro da ABL, Sarney possui outras condecorações. Sarney é Grão-Mestre e tem Grã-Cruz ou o Grão-Colar das seguintes ordens: Ordem Nacional do Mérito, Ordem do Rio Branco, Ordem do Mérito Judiciário, Ordem do Cruzeiro do Sul, Ordem da Legião de Honra (França), Ordem de Sant’Iago da Espanha (Portugal). Possui a Medalha José Bonifácio e pela própria ABL, Medalha Machado de Assis. Realmente é grande o reconhecimento que Sarney possui, não é qualquer pessoa que pode colocar isso tudo no currículo.

Mas agora, parando para pensar um pouco mais, como que uma pessoa, que tem uma carreira marcada por trabalhos tão relevantes pode entrar para a política e ter sua vida marcada por tantos atos de corrupção? O que uma pessoa tão corrupta e maligna à sociedade e ao estado democrático está fazendo numa instituição que teve como fundador Machado de Assis? Aposto que em 1980 os antigos membros da academia não faziam ideia para quem estavam prestes a conceder tal mérito. Não sabiam dos atos secretos, até porque eles comecaram na década de 1990, mas vai saber quantos outros atos Sarney não orquestrou ao longo de sua carreira política.(?)

Fico pensando o que os atuais membros pensam de ter um colega, se assim posso dizer, tão envolvido em escandalos que ferem e mancham a história política nacional. Segundo as regras da ABL, uma vez que uma pessoa se torna membro, ela só perde o título quando morre. Não sei se existem regras para expulsar membros, mas se não existir, acredito que deveriam considerar sériamente a hipótese de criar uma. Alguns podem dizer que a vida política e a vida literária de Sarney não deveriam ser confundidas, que sua contribuição para a literatura e língua portuguesa são de grande importância, mas eu acredito que mais do que ter dado uma grande contribuíção para o Brasil e para a língua portuguesa, Sarney perdeu todos os seus pontos com seu envolvimento nos escândalos do senado e muitos outros. Sua contribuição ficou pequena na sombra do seu desserviço à política e ao povo brasileiro.

Peço aqui, que além de exigirmos Sarney fora do senado e da política nacional, vamos pedir também para que o Sr. José Sarney deixe a ABL, uma instituição de grande importância e história que tem como objetivo o cultivo da nossa tão importante língua mãe. Não deixemos que Sarney manche o nome outra importante instituição nacional.

#forasarney

Ontem no inicio da noite participei de uma breve discussão no Twitter sobre o ‘amor ao país’, se assim posso dizer. O @cristianobecker e o @gabrielstein estavam discutindo sobre morar fora do Brasil, o orgulho de ser descendente de outra nacionalidade, o problema de xenofobia que os brasileiros sofrem em alguns países e a falta de vontade de mudar e amor ao país que esses pensamentos possam representar. No entanto (com todo o respeito) o @cristianobecker teve um pequeno ataque nacionalista como eu diria e então vendo aquela discussão tão caliente não me segurei e resolvi contribuir com meus dois centavos.

Nacionalizmus

Nacionalizmus

Acontece que sou contra esse tipo de pensamento que diz que se o país está na merda é porque tu não faz nada pra mudar, ou que se essa merda existe é porque pessoas como eu simplesmente não tem coragem de ficar aqui e tentar mudar. Sou contra, acho uma ignorância falar algo desse tipo.

Eu não quero que as pessoas me julguem por escolher o melhor para a minha vida, se aqui o barco tá afundando eu tenho todo o direito para pegar minhas malas e ir para onde eu quiser, não sou obrigado a ficar neste país e compactuar com toda essa maracutaia que acontece lá pelas bandas de Brasília.

O Brasil é sim um lugar muito interessante, é minha terra natal, é onde eu cresci e conheci as pessoas mais importantes da minha vida, porém não escolhi nascer aqui e não sou obrigado a gostar disso. Eu concordo com muitas idéias nacionalistas, mas como tudo que é exagerado faz mal, essa dose de nacionalismo não seria diferente.

Minha idéia de sociedade ideal envolve vários tipos de movimentos e organizações políticas, algumas que eu nem conheço direito, outras comuns a quase todos os países do mundo. Eu tenho uma visão mais esquerdista da coisa eu diria, penso muito mais no lado humano, no que diz respeito das pessoas serem iguais e viverem numa sociedade igualitária, mas como estamos longe disso, dinheiro faz parte do meu vocabulário também e apesar de sermos todos ‘iguais’ eu tenho interesses bem pessoais para a minha vida. (1ª contradição)

No próximo ano pretendo voltar para o Reino Unido, onde morei por um pouco mais de um ano e me estabelecer de uma vez por lá. Estou fugindo do Brasil? Sim, de certa forma sim, pois por mais que eu tente mudar os meus hábitos e tente convencer as pessoas ao redor a mudarem eu não consigo e não vejo nenhuma mudança, mesmo que pequena.

Trocando algumas mensagens ontem também com a @carolcesa ela me falou algo com o qual concordei totalmente e então, nada muito difícil de deduzir, cheguei a seguinte conclusão, nada vai mudar nesse país por muito tempo. Porque? Pois as pessoas aqui nesse país são muito acomodadas para exigirem seus direitos, exigirem mudanças. Não acreditem que teremos uma mobilização como as Diretas Já em 1984. Por um simples motivo, naquela época políticos e população tinham um objetivo em comum, hoje a população e a classe política tem interesses totalmente diferentes apesar de terem um modus operandi iguais, o tão conhecido ‘jeitinho brasileiro’.

Enquanto os políticos governam em prol de seus próprios interesses e de alguns outros poucos, a população vai vivendo do jeito que dá usando o jeitinho e assim alimentando esse ciclo vicioso de roubalheira e corrupção que existe atualmente no país.

Em 1984 políticos, sociedade civil e veículos de mídia se juntaram para exigir o direito de eleições diretas para presidência da república e apesar de não terem conseguido isso num primeiro momento o resultado apareceu um ano depois em 1985 com um novo governo civil e em 1988 com a nova constituição. A idéia aqui não é explicar o que foi aquele movimento mas sim mostrar a força da população quando ela realmente quer mudar alguma coisa.

O problema com as pessoas hoje é que muitas das quais viveram e participaram de tal movimento na década de 1980 hoje estão mais velhas, tem família e precisam se preocupar com muitas outras coisas, os jovens daquela época parecem estar cansados e eles sabem o quão difícil é organizar e motivar um número tão grande de pessoas. Para piorar a situação os jovens de hoje, que são as pessoas que deveriam se mobilizar e renovar toda essa mentalidade atrasada do ‘jeitinho brasileiro’, porque tem toda uma vida pela frente, não se interessam nem um pouco por política, não se interessam com um futuro, já que o que realmente importa é somente o dia de amanhã.

As pessoas parecem estar cada vez mais egoístas e conformadas. Todo mundo fala, mas ninguém faz. Um exemplo disso foi a tal mobilização criada no Twitter pelo fora Sarney. Todo mundo divulgou a tal hashtag #forasarney e datas com manifestações públicas foram marcadas, porém quantas dessas pessoas que divulgaram amplamente sua indignação com o presidente do senado apareceram em tais manifestações? Poucas, pouquíssimas. Acontece que a grande parte das pessoas que utilizam a internet e o Twitter no Brasil estão num nível social mais confortável e acham que isso não é necessário, todo mundo empurra a responsabilidade para o próximo. Quem não está nesse nível social mais confortável ou não tem acesso a internet ou não pode largar tudo e sair as ruas, pois precisam trabalhar para ganhar algum dinheiro, conseguir comer e ter um lugar para dormir. (2ª contradição)

A situação neste país está muito complicada, se tu fores parar e pensar um pouco, o texto que eu escrevi até então pode conter uma série de contradições mas isto faz parte de qualquer sistema político, sempre haverão contradições, pois por mais que saibamos da necessidade de viver harmoniosamente, de maneira igual e em sociedade, cada um de nós tem objetivos pessoais bem específicos, a solução aqui é achar o equilíbrio entre os interesses e objetivos pessoais e da sociedade, mas enquanto as pessoas continuarem pensando somente no seu umbigo e fazendo uso do tal ‘jeitinho’ para poder conviver e sobreviver eu prefiro me retirar e ir para algum lugar onde os interesses de todos seja o interesse de um.

Então, indo se refugiar de toda essa palhaçada nacional e tentar uma vida nova em um outro país, surge o tal problema da xenofobia em determinados países de primeiro mundo. Na minha opinião, isto acontece apenas por um motivo, motivo este que está ligado diretamente com egoísmo e o tal ‘jeitinho brasileiro’ que eu mencionei anteriormente. O Brasileiro, assim com muitos outros povos, quando vão morar em algum outro país, vivem como se estivessem no Brasil, se juntam em comunidades fechadas, criam sociedades alternativas e não se interessam pela cultura do país no qual estão morando.

Basicamente o que o brasileiro faz é comparável a tu seres convidado em alguma festa e não se importar com o que o anfitrião pense, fale ou faça. O brasileiro vive como um parasita em outros países, ele não se insere na comunidade local, não faz questão de viver como os nativos vivem, está lá só para trabalhar e mandar dinheiro de volta ao Brasil, fazendo a mesma coisa que Portugal fazia com o Brasil colonial, aí então os tais problemas de xenofobia começam a aparecer, pois qual pessoa em sã conscienciosa vai querer um hóspede mal criado que não se adapta as regras da casa(?!).

Made in Brazil

Made in Brazil

Nenhum lugar no mundo é perfeito, mas para ser melhor que o Brasil não precisa de muito. Se for para ficar aqui por causa das belezas naturais, das festas e datas comemorativas que mesmo morando aqui só posso aproveitar alguns dias por ano, prefiro me mudar para onde o pensamento coletivo seja parte dos princípios das pessoas e voltar para a terrinha de férias aproveitando as mesmas coisas que eu aproveito hoje mesmo morando aqui. E quem sabe, no dia em que tudo mudar por aqui eu volte, mas pode ser que até lá, seja tarde demais.

Update:

Thanks para o @gabrielstein pela idéia do assunto e título do post.

Idéias x Preguiça

Julho 14, 2009

Como podem perceber, meu blog está amargando dois posts até agora. Vai fazer praticamente um mês que ele está online e até então não escrevi nada mais do que um punhado de linhas sobre música, coisa que por sinal meu contato se resume a ouvir ja que não sei tocar instrumento algum.

Fico triste porque sempre quando sento na frente do computador minhas idéias desaparecem, não consigo extrair muita coisa dessa cabeça inquieta. As vezes tenho ótimas (ao menos eu considero ótimas) idéias para posts, mas normalmente isso acontece quando estou distante de um computador ou de um papel e lápis para anotar tal pensamento.

Penso também em começar a escrever alguma coisa em inglês, pra praticar um pouco mais e aproveitar para tentar atrair um público internacional para o blog, apesar de que se tu fores levar em consideração o público atual, que é praticamente nulo, não tenho o porque ficar esperando que alguém vá ler alguma coisa que eu vá publicar em inglês, portanto público internacional, só se for algum Colorado perdido por aqui.

Lazy dog

Lazy dog

O fato é que eu sou deveras preguiçoso e deixo tudo sempre para última hora, vou adiando as coisas o máximo que eu consigo e sim, sei que isso é um péssimo hábito, porém não consigo me livrar dele. Tenho alguns projetos pessoais, os quais comecei, porém trabalhei apenas por algumas semanas, ou dias, e então larguei, parei, abandonei no mesmo instante em que encontrei alguma coisa mais legal para fazer. Levando isso tudo em consideração percebo que eu não consigo focar em alguma coisa específica, qualquer distração, qualquer ruído vai me fazer perder o foco e começar alguma coisa diferente, deixando assim um rastro de coisas que interminadas.

Me sinto tão mal por isso, porque algumas dessas idéias poderiam ser realmente muito boas e me ajudar bastante, seja divulgando meu nome, me promovendo ou apenas me dando uma certa experiência de vida.

Por enquanto é isso, ja estou com algumas idéias pro próximo post, inclusive umas duas recentes, que tive hoje, mais os drafts que eu tenho aqui. Eu tenho material pra uma meia dúzia posts mas vou selecionar os melhores e ir escrevendo aos pouquinhos. Provavelmente assim que eu finalizar esse estarei escrevendo o próximo, que se der certo vou publicar hoje também.

Nossa, dois posts num mesmo dia!

=D

Snow Patrol e a semana

Junho 22, 2009

Primeiro post de verdade do blog, a qualidade do texto provavelmente não é das melhores, mas espero melhorar e claro, espero que gostem. =D

Neste final de semana que acabou de passar muitas coisas aconteceram. Tive tempo pra pensar sobre muita coisa, mas como o próprio nome do blog diz, não pensei muito sobre as coisas, pensei mesmo sobre muitas coisas.

Pra comecar uma pequena retrospectiva da ultima semana.

Quarta-feira. Compro uma camiseta nova do meu glorioso time e adivinha? Toma dois do Corinthians! Culpa de quem? Não sei, mas com certeza não foi do Álvaro, nem do Giñazu e nem do Taison. O resto do time? Talvez. Tite? Provavelmente. A falta de garra e dedicação dos recém titulares (Alecsandro, Marcelo Cordeiro e cia)? Com certeza. Resultado, temos que reverter um placar bem complicado dia primeiro de julho. Resultado disso tudo, me associei, novamente, ao clube na quinta-feira.

Sexta-feira. Nada de muito diferente dos oturos dias da semana. Acho que a retrospectiva termina por aí mesmo, queria mais era comentar sobre o episódio de quarta-feira.

Voltando ao assunto.

Bueno, ouvindo o rádio durante a semana, sempre na Itapema FM, escutei pela segunda vez tocar alguma musica do novo álbum do Snow Patrol. Agora não me recordo qual foi a música exatamente, me recordo somente que foi durante a manhã, por volta das 10 horas. Isso é um fato bem interessante, visto que a outra vez que eu havia escutado uma música desse novo álbum deles, tinha sido na madrugada, deveria ser lá pelas 3 da manhã. Pensando sobre isso, vejo uma evolução, pois estão começando a tocar o disco deles num horário onde mais de 13 pessoas escutam. Isso é bom, mas é ruim ao mesmo tempo.

Snow Patrol

Snow Patrol

O lado bom – Snow Patrol é uma baita banda. Assim como eu escrevi no meu twitter ontem, considero eles uma das melhores bandas da atualidade. Não são mainstream como Coldplay e talvez por isso acredito que eles sejam realmente bons. De fato as melhores bandas que eu conheco atualmente ou estão num período de férias ou não aparecem muito por ai (isso da assunto pra um outro post, melhor anotar, ‘bandas desconhecidas realmente boas’). Voltando ao assunto Snow Patrol, conheco o trabalho dos caras a relativamente bastante tempo. Tive o prazer de descobrir o trabalho deles la por volta do início de 2006, eles recém tinham lançado o álbum Eyes Open, que por sinal marcou minha vida e tem um valor sentimental muito grande. Desde então Snow Patrol faz parte da minha dose diária de música e sendo assim, nada mais lógico do que ir atrás de trabalhos anteriores da banda. O que descobri? Uma banda que era ainda melhor do que eu imaginava. Songs For Polar Bears é simplesmente muito fantástico, é um album mais pesado, um pouco mais sujo do que Eyes Open, eu só não gosto mais dele do que Eyes Open justamente porque Eyes Open foi marcante, escutei numa época de grandes mudanças na minha vida e por isso considero ele muito bom, mas acredito que se esse não fosse o caso Songs For Polar Bears estaria na frente de Eyes Open.

O problema – o grande problema de começarem a tocar música boa em horário bom, é que essa música perde a exclusividade, não é mais aquela coisa que só tu conhece. E isso me deixa um tanto desapontado, pois perdi uma banda boa para apresentar para os amigos. Outro ponto negativo que eu vejo, pessoas que realmente não curtem o estilo, pessoas que não tem idéia do que estão ouvindo começam a escutar a música e, por um processo parecido com o da osmose, começam a achar a música legal. Nada contra isso, afinal é uma banda do, permitam-me dizer, do caralho e isso é o reconhecimento de um bom trabalho. Porém quando a música comeca a se popularizar demais todo mundo quer ouvir em todos os lugares, em todos os momentos não importando a ocasião, foi então que numa noite ouvi uma versão eletrônica de Eyes Open, quase chorei. Mas não foi de emoção, foi de raiva. Tive vontade de encher o DJ de porrada. Não sei descrever o sentimento exato que tive naquele momento, mas posso dizer que foi bem ruim. Qual é o real problema então? Aberrações começam a aparecer por aí e acabam distorcendo um trabalho que era ótimo, perfeito, excelente, num trabalho médiano, regular, tudo isso pra agradar as massas. What a shame.

Mas voltando ao assunto álbums da banda, enquanto escrevia este post, estava escutando, adivinhem? Snow Patrol. O fato é que agora estou na dúvida, Songs For Polar Bears é bom, Eyes Open é marcante, A Hundred Million Suns é o útlimo trabalho (non-single) e na minha opinião é uma síntese da qualidade musical desses caras. Uma celebração a evolução da banda. É um troféu. Porém ficou faltando o Final Straw. Final Straw é algo estranho, tem muitas músicas boas, mas acho que falta uma identidade, vejo Final Straw como um álbum de transição de o que a banda era até então para chegar no que a banda se tornou com Eyes Open. Final Straw faz um blend dos dois mundos, do desconhecido e o superstar.

Como comentei no lado bom, logo ali em cima, eu gosto de bandas desconhecidas, bandas exclusivas, que poucas pessoas conhecem. Tem uma banda em especial que conheci, ou melhor, que a Carol me apresentou, Belle And Sebastian. Aposto que muita gente não conhece, mas quem gosta de Indie sabe do que estou falando. Belle And Sebastian é um ícone nesse mundo e curiosamente o primeiro album do Snow Patrol foi gravado através de qual gravadora? Jeepster. A gravadora que começou com Belle And Sebastian. E este é apenas um dos milhares de detalhes que me fazem gostar de Snow Patrol.

Hello Little World!

Junho 22, 2009

Finalmente! Depois de alguns vários anos pensando em montar um blog e depois de algumas tentativas frustadas, espero que agora seja pra valer.

Acredito.

Tenho a impressão de que este é o momento certo pra comecar a escrever sobre as coisas que se passam na minha cabeça.

A idéia deste blog é justamente fazer uma espécie de “logger” da minha vida, do que penso, então esperem ler por aqui as mais variadas coisas, desde música passando por computação até política.

Mais sobre mim pode ser lido no link about, ou sobre, como queiram.

Então este é o final do primeiro post, simples e objetivo, como tudo o que pretendo escrever por aqui.

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